13 junho, 2008

185 - Meu Alentejo ao pé do mar

Foto: Shark

Fui à Beira do Mar

Fui à beira do mar
Ver o que lá havia
Ouvi uma voz cantar
Que ao longe me dizia
Ó cantador alegre

Que é da tua alegria
Tens tanto para andar
E a noite está tão fria
Desde então a lavrar

No meu peito a Alegria
Ouço alguém a bradar
Aproveita que é dia
Sentei-me a descansar
Enquanto amanhecia
Entre o céu e o mar
Uma proa rompia
Desde então a bater

No meu peito em segredo
Sinto uma voz dizer
Teima, teima sem medo

(Zeca Afonso)

184 - MARAVILHA DE PAÍS O NOSSO

Foto: Shark

Minha Terra

Minha Terra embalada pelas ondas,
Lindo país de mouras encantadas,
Onde o amor tece lendas e onde as fadas
Em castelos de lua dançam rondas…

Oh meu Algarve, quero que me escondas…
Que na treva da morte haja alvoradas!
Hei-de sonhar com moiras encantadas,
Se eu dormir embalado pelas ondas…

Quando o sol emergir detrás da Serra,
Sempre será… da minha terra
A fecundar-me o chão da sepultura...

Ao pé dos meus, na minha aldeia querida,
A morte será quase uma ventura,
A morte será quase como a vida…
Cândido Guerreiro

10 junho, 2008

183 - Pátria

Foto: Shark

Os Lusíadas
Canto III
21

Esta é a ditosa Pátria minha amada,
À qual se o Céu me dá que eu sem perigo
Torne com esta empresa já acabada,
Acabe-se esta luz ali comigo.
..................................................................
(Luiz Vaz de Camões)

09 junho, 2008

182 - Voar como os pássaros

Foto: Shark

Não faz mal

Voar é uma dádiva da poesia.
Um verso arde na brancura aérea do papel,
toma balanço,
não resiste
Solta-se-lhe
o animal alado.
Voa sobre as casas,
sobre as ruas,
sobre os homens que passam,
procura um pássaro
para acasalar.

Sílaba a sílaba
o verso voa.
E se o procurarmos?

Que não se desespere,
pois nunca o iremos encontrar.
Algum sentimento o terá deixado pousar,
partido com ele.
Estará o verso connosco?
Provavelmente apenas a parte que nos coube.
Aquietemo-nos.
Amainemo-nos esse desejo de o prendermos.

Não é justo um pássaro
onde ele não pode voar.
(Eduardo White)

06 junho, 2008

181 - Nas asas da poesia

Foto: Shark

OS POEMAS

Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
(Mário Quintana)

05 junho, 2008

180 - Barco no mar

Foto: Shark

NAU SEM RUMO

Não preciso de cartas de navegação:
basta-me o sonho de travessias impossíveis.

Caminhar sobre a superfície do oceano,
pisando em pássaros submarinos,
tropeçando em ruínas de outras civilizações,
beijando cadáveres de náufragos,
até a definitiva conversão em água, sal e vento.

Sei que não tenho destino.
É o destino que me possui.
As correntezas traçam a rota
e as tempestades preparam o naufrágio.

O mar não precisa de caminhos,
tece na solidão as formas da morte,
enquanto o vento entoa cantos fúnebres
sobre os campos azuis do país marítimo.

O mar não precisa de navios,
precisa apenas de corpos.
(José António Cavalcanti)

01 junho, 2008

179 - Quem se vende?

Foto: Shark

Compra-se

Compram-se seres humanos
Calados, domesticados
Que não pensem, nem opinem
Ao serem questionados.
Que não vejam, nem escutem
Nem se sintam incomodados.

Compram-se seres humanos
Que sejam modernizados.
Que andem sempre na moda
Felizes, etiquetados
Que propaguem e que convençam
Até os conscientizados.

Compram-se seres humanos
Totalmente desligados
Que não gostem de política
E estejam sempre ocupados
Que não sejam de esquerda
E nem sindicalizados.


Compram-se seres humanos
Famintos, desempregados,
Indecisos, inseguros,
Descalços, descamisados,
Menores, analfabetos,
E até informatizados.

Compram-se seres humanos
Idosos, aposentados,
Jovens e adolescentes
De preferência, os drogados
Que se sumam, consumindo,
Em tempos globalizados!!!
de Prof. Zé Maria
Eldorado dos Carajás

31 maio, 2008

178 - Lavadeiras

Foto: Shark
Poema da Lavadeira

A lavadeira no tanque
Bate roupa em pedra bem.
Canta porque canta e é triste
Porque canta porque existe;
Por isso é alegre também.
Ora se eu alguma vez
Pudesse fazer nos versos
O que a essa roupa ela fez,
Eu perdeira talvez
Os meus destinos diversos.
Há uma grande unidade
Em, sem pensar nem razão,
E até cantando a metade,
Bater roupa em realidade...
Quem me lava o coração?
Fernando Pessoa, 15-9-1933

25 maio, 2008

177 - Teia de aranha

Foto: Shark

O AMOR

O amor, fio d'aranha quebradiço,
Um sopro o quebra e ninguém mais o reata.
Mas ai de nós! Rompeu-se e nem por isso
A dor que ele nos deixa se desata...

Num braço de corpos naufragados
Que os nossos prantos num só pranto unia,
Quedámos sucumbidos e prostrados
Até que já no céu luzia o dia

...Um dia pálido e deliquiscente

E a chuva caía,
Mais triste, mais fria,
Monotonamente ...

(Augusto Gil)

176 - Nascer do sol

Foto: Shark

Sol D'Agosto

Mesmo que um véu espesso de neblina
Toldasse o ar e o céu e tarde fosse,
Se a tua bôca fina
E purpurina
E doce
Para mim sorria,
Já não havia para mim sol posto:
Era... como se fôsse meio dia
- Um meio dia de abrasado agosto.
E trocávamos beijos sem ruído,
Desfalecidamente,
Num amor incendido,
Altissimo, purissimo, silente...
E nossos lábios, para se beijarem
Naquele enlêvo mudo e mudo encanto,
Eram dois rouxinóis que para voarem
E se encontrarem,
Interrompessem o mavioso canto...
Pois não diziam tudo,
Com esse beijo mudo,
Os meus lábios e os teus?
E nós nem saberíamos falar!
Quando o calor d'Agosto se abre aos céus
E inflama o ar
E morde a terra e a reduz a pó,
- Os rouxinóis não cantam
Voam só ...
(Augusto Gil)

16 maio, 2008

175 - Simbiose - Velho e novo

Foto: Shark
Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto... tão perto... tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
Mário Cesariny

174 - Flores do campo

Foto: Shark inho

É Primavera agora, meu Amor!

É Primavera agora, meu Amor!
O campo despe a veste de estamenha;

Não há árvore nenhuma que não tenha
O coração aberto, todo em flor!

Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao saber

Da vida... não há bem que não venha
Dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha!
Não há bem que não possa ser melhor!

Também despi meu triste burel pardo,
E agora cheiro a rosmaninho e a nardo
E ando agora tonta, à tua espera...

Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos...
Parecem um rosal !
Vem desprendê-los!
Meu Amor, meu Amor, é Primavera!...


(Florbela Espanca)

13 maio, 2008

173 - Aonde andam as ondas?

Foto:Shark inho

A onda

a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda

(Manuel Bandeira)

11 maio, 2008

172 - Gosto de Gatos, pretos

Foto: Shark inho

O Gato

Com um lindo salto
Leve e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás de um pobre passarinho
E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
Se num novelo
Fica enroscado
Ouriça o pêlo, mal-humorado
Um preguiçoso é o que ele é
E gosta muito de cafuné
..........................................
E quando à noite vem a fadiga
Toma seu banho
Passando a língua pela barriga
(Vinicius de Morais)

09 maio, 2008

171 - Aquela cativa que o tem cativo

Foto: Shark inho

Endechas a Barbara Escrava

Aquela cativa
Que me tem cativo,
Porque nela vivo
Já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
Em suaves molhos,
Que pera meus olhos
Fosse mais fermosa.

Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.

Uã graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde perde opinião
que os louros são belos.

Pretidão de Amor,
Tão doce a figura,
Que a neve lhe jura
Que trocara a cor.
Leda mansidão,
Que o siso acompanha;
Bem parece estranha,
Mas bárbara não.

Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela, enfim, descansa
Toda a minha pena.
Esta é a cativa
Que me tem cativo;
E. pois nela vivo,
É força que viva.
Luís de Camões

08 maio, 2008

170 - Uma janela florida

Foto: Shark inho

NÃO PEÇAS DEMAIS À VIDA
Não peças demais à vida,
Aceita o ela te deu
Uma JANELA FLORIDA
Mostra a cor de todo o céu.

Afinal a felicidade
Cabe num rosto a sorrir
Ai de quem sente a ansiedade
De viver sempre a pedir.

Não peças demais à vida,
Aceita o que ela te dá,
Porque a ambição desmedida
Faz-nos crer o que não há.

E não há sinceramente
Maneira de ser feliz
Para quem quer constantemente
Ser mais feliz do que quis.

Não peças demais à vida,
E aceita o que ela te der,
Às vezes, basta a guarida
Dum abraço de mulher.

Num sorriso de criança
Ou no sol quente a brilhar
Existe um tesouro de esperança
Que ninguém pode comprar.

Se afinal basta a guarida
Dum abraço de mulher,
Não peças demais à vida,
E aceita o que ela te der.
(Amália Rodrigues)

06 maio, 2008

169 - Jardim

Foto: Shark inho
Jardim Perdido

Jardim em flor, jardim de impossessão,
Transbordante de imagens mas informe,
Em ti se dissolveu o mundo enorme,
Carregado de amor e solidão.
A verdura das arvores ardia,
O vermelho das rosas transbordava
Alucinado cada ser subia
Num tumulto em que tudo germinava.
A luz trazia em si a agitação
De paraísos, deuses e de infernos,
E os instantes em ti eram eternos
De possibilidades e suspensão.
Mas cada gesto em ti se quebrou, denso
Dum gesto mais profundo em si contido,
Pois trazias em ti sempre suspenso
Outro jardim possível e perdido.
(Sphia de Mello Breyner Andresen)

168 - Sonhos

Foto: Shark inho

Sonhos

S'crevo meu livro à beira-mágua.
Meu coração não tem que ter.
Tenho meus olhos quentes de água.
Só tu, Senhor, me dás viver.

Só te sentir e te pensar
Meus dias vácuos enche e doura.
Mas quando quererás voltar?
Quando é o Rei? Quando é a Hora?

Quando virás a ser o Christo
De a quem morreu o falso Deus,
E a dispertar do mal que existo
A Nova Terra e os Novos Céus?

Quando virás, ó Encoberto,
Sonho das eras portuguez,
Tornar-me mais que o sopro incerto
De um grande anceio que Deus fez?

Ah, quando quererás, voltando,
Fazer minha esperança amor?
Da névoa e da saudade quando?
Quando, meu Sonho e meu Senhor?
(Fernando Pessoa)

05 maio, 2008

167 - Tomate também é fruto

Foto: Skark inho
Vamos falar sobre fruta - (extracto)

Vamos falar sobre fruta
que todos devem comer
chupar a sua carninha
ou o seu sumo beber.

A fruta é colorida,
cada fruta sua cor,
arredondada ou comprida
cada fruta, seu sabor.
...........................................

tomate, também é fruto
é vermelho e não é doce,
corta-se às rodelinhas
e come-se com a alface.
(Autor desconhecido)

04 maio, 2008

166 - Toda a rosa tem espinhos

Foto: Shark inho


PRIMAVERA

Entre rosas, bem lestinhos,
Vigiam duros espinhos;
E entre espinhos, bem vistosas,
Campeiam essas rainhas
Que têm o nome de rosas
De comum, de parecido,

Uns e outros nada têm;
Mas como se entendem bem!
Sendo frágeis e garbosas,

Por todos apetecidas,
Não serão esses espinhos
Os seguranças das rosas?
Só receio que os mortais,

Que mudam tantos destinos,
Um dia também consigam
Mudar rosas em espinhos.
Ao contrário, a natureza,

Quem tem leis maravilhosas,
Talvez um dia consiga
Dos espinhos fazer rosas.
(Abel Grilo)

165 - Marginal (um qualquer dia da semana)

Foto:Shark inho 1/12/2007

POEMINHA DO CONTRA

“E todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho
Eles passarão...
Eu, passarinho!”

(Mário Quintana)

02 maio, 2008

164 - Olha uma nêspera e zás picou-a...

Foto: Shark inho


RIFÃO QUOTIDIANO

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia
chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a
é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

(Mário Henrique Leiria)

28 abril, 2008

163 - Barcos no Tejo

Foto: Shark inho
Tenho uma janela

Tenho uma janela
que dá para o mar
barcos a sair
barcos a entrar
tenho uma janela
que dá para o mar
sonhos a partir
sonhos a chegar
tenho uma janela
que dá para o mar
um fio de fumo
uma sombra além
uma história antiga
um cantar de vela
um azul de mar
tenho uma janela
que seria bela
seria mais bela
que qualquer janela
janela fosse ela
de Lua ou de estrela
ou qualquer janela
de qualquer escola
se não fosse aquele
pescador já velho
que anda pela praia
a pedir esmola
barcos a sair
barcos a entrar
chego-me à janela
e não vejo o mar.

(Mário Castrim)

162 - Sardinheiras

Foto: Shark inho
AS ÁRVORES E OS LIVROS

As árvores como os livros têm folha
se margens lisas ou recortadas
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo nas nervuras.

As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».

É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.

(Jorge Sousa Braga)

161 - Lis(boa) todos os dias

Foto: Shark inho

Aurora Boreal

Tenho quarenta janelas
nas paredes do meu quarto,
Sem vidros nem bambinelas
posso ver através delas
o mundo em que me reparto.

Por uma entra a luz do Sol,
por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas
que andam no céu a rolar.

Por esta entra a Via Láctea
como um vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens,
pela outra a escuridão.

Pela maior entra o espanto,
pela menor a certeza,
pela da frente a beleza
que inunda de canto a canto.

Pela quadrada entra a esperança
de quatro lados iguais,
quatro arestas, quatro vértices,
quatro pontos cardeais.

Pela redonda entra o sonho,
que as vigias são redondas,
e o sonho afaga e embala,
à semelhança das ondas.

Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade,
e o desejo, e a humildade,
e o silêncio, e a surpresa,

e o amor dos homens, e o tédio,
e o medo, e a melancolia,
e essa fome sem remédio
a que se chama poesia,

e a inocência, e a bondade,
e a dor própria, e a dor alheia,
e a paixão que se incendeia,
e a viuvez, e a piedade,

e o grande pássaro branco,
e o grande pássaro negro
que se olham obliquamente,
arrepiados de medo,

todos os risos e choros,
todas as fomes e sedes,
tudo alonga a sua sombra
nas minhas quatro paredes.

Oh janelas do meu quarto,
que vos pudesse rasgar
Com tanta janela aberta
falta-me a luz e o ar.

(António Gedeão)

27 abril, 2008

160 - Barcos no Tejo

Foto: Shark inho

Barcos no Tejo

Cá no alto do castelo
Está S. Jorge a dominar
Olha o Tejo com desvelo
A vê-lo correr pró mar
Vejo as velas tão branquinhas
Barquinhos a deslizar
Os barcos são alfacinhas, e não vão
Não vão pró mar
Barcos do Tejo
P’lo rio afora
Eu bem os vejo
Namorar Lisboa
Iguais as velas
Que deram fama
Às caravelas
De Vasco da Gama
Barcos do Tejo
A navegar
Que eu bem os vejo
Olhando pró mar
Barcos do Tejo
Velas à vela
São filigrana de Lisboa
Nobre e tão bela
Destas muralhas com glória
Cá no alto do castelo
Deito os olhos pró Restelo
E oiço falar a história
Velas ao vento
Tal qual as que vês lá em Belém
Mostraram ao mundo quem
E o valor de Portugal

23 abril, 2008

159 - Um rio

Foto: Shark inho

Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...
A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.
Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.
E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.

José Gomes Ferreira

20 abril, 2008

158 - O Meu rio chama-se Tejo

Foto: Shark inho

Não ser eu

Eis aqui o Mundo em arcos.
Sob as pontes, sobre os barcos.
Viagem, curva no espaço
Que em abismos se desata.
Pelo rio canta a prata
Da branca deusa ofegante…

Sem convés e sem mirante,
De que aproveita o instante?

Eis aqui o Mundo em arcos.
Curva e nuvem, recta e espelho.
Eis aqui, humanos arcos.
Comigo o esboço é desfeito.
Não ser outra, nem ser eu
Me solicita e constrói.
Voo em silêncios abertos.
Não ser, dentro da corola.
Ser só na sombra que rola,
No som que não se detém.

Só desejo não ser eu
Na vida que em mim se ateia.
Ser outra, noutra prisão?
Ser, numa outra cadeia?

Nem que os deuses me oferecessem
Mil rostos de água e areia
Para um destino gelado
De mar, pérola ou sereia,
Nem assim diria: - Ámem!

Não ser eu é que está bem
Não ser eu, nem ser ninguém.


(Natércia Freire)

157 - Lis(boa) todos os dias

Foto: shark inho

MUSICA

Loira Lisboa, amolecida e calma,
Com vitrines de sol pelos passeios
E as avenidas com passeios de almas.

As tardes castas. E nas sombras mansas
Nem há crianças
A brincar na rua.

Céu rosado, menino, Céu de bruços,
A escutar os soluços
Da terra morna e nua.

Nas matas presas pelas sombras finas
Ninguém achou as sinas
Traçadas no chão brusco…

Nem os olhos das casas, aos domingos,
Espreitando ao lusco-fusco…

Erguida a noite sobre o chão brilhante
- As estações morreram com a nortada –
Não há pomba, nem luz , nem viajante,
Que pare na pousada.

Nas praças largas a abraçar fantasmas
Ficaram os pedintes de amargor.
Pés brancos, enterrados pela água,
E as mãos pendentes, pelo Céu sem cor.

Entre a música eterna da saudade
Os rios vão de corações abertos.
Ao longe,
Búzios a chorar jardins.
Ao perto,
Estátuas a sonhar desertos.

(Natércia Freire)

156 - O meu rio chama-se Tejo

Foto: Shark inho

Tempos de Mocidade (extracto)

Fui à fonte para te ver
Ao rio para te falar,
Nem na Fonte nem no rio
Te fui capaz de encontrar.

(José Henriques Félix)


14 abril, 2008

155 - Candeeiro

Foto: Shark inho
Candeeiro
(extracto)

Candeeiro da esquina
Não te apagues, por favor!
Pelo menos à noitinha
Quero ver o meu amor.

Não me deixes às escuras
Te peço por caridade!
Eu venho de muito longe
Não conheço a cidade
……………………….

(Maria de Lurdes Pereira)

03 abril, 2008

154 - Eternidade

Foto: Shark inho

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.
Minha alma imortal,
Cumpre a tua jura
Seja o sol estival
Ou a noite pura.
Pois tu me liberas
Das humanas quimeras,
Dos anseios vãos!
Tu voas então...
— Jamais a esperança.
Sem movimento.
Ciência e paciência,
O suplício é lento.
Que venha a manhã,
Com brasas de satã,
O dever
É vosso ardor.
Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.
(Rimbaud)

01 abril, 2008

153 - Menina estás à janela

Foto: Shark inho

Menina estás à Janela

Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua

Sem levar uma prenda tua
sem levar uma prenda dela
com o teu cabelo à lua
menina estás à janela

Os olhos requerem olhos
e os corações corações
e os meus requerem os teus
em todas as ocasiões

Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua

Sem levar uma prenda tua
sem levar uma prenda dela
com o teu cabelo à lua
menina estás à janela
(Do cancioneiro Popular)

30 março, 2008

152 - Poema de Amor

Foto:Shark inho

Poema de Amor

Quero um bosque de Eucaliptos
Perfumando a brisa
Forrando tudo com folhagem macia
Um pomar e um riacho
Uma rede estendida
Para poder,
Ao sussurro das árvores,
Ao canto das águas,
Com o aroma da natureza,
Escrever um POEMA DE AMOR !

(autor desconhecido)

21 março, 2008

151 - A Lua

Foto: Shark inho
Lua

Entre a terra e os astros, flor intensa.
Nascida do silêncio, a lua cheia
Dá vertigens ao mar e azula a areia,
E a terra segue-a em êxtases suspensa.

Sophia de Mello Breyner Andresem

150 - 21 de Março - Dia Mundial da Árvore

Foto: Shark inho
ORGIA NA FLORESTA.

Sinal verde. Hoje é dia de festa.
Sapo Cururu rufou tambores.
A lagoa toda se alagou.
Boto Tucuxí que não é bobo.
Refestelou-se na madrugada.
As Estrelas lascivas e envergonhadas
Mergulharam no azul do céu.

17 março, 2008

149 - Olhando o Mar

Foto: Shark inho
Olhando o mar, sonho sem ter de quê

Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?

Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.

As árvores longínquas da floresta
Parecem, por longínquas, 'star em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta.

Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.

Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
Motivos coloridos de morrer?
Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?

Fernando Pessoa

148 - Horizonte

Foto: Shark inho

Horizonte

O mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério'
Splendia sobre sobre as naus da iniciação.

Linha severa da longínqua costa ---
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o
Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha.

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte ---
Os beijos merecidos da Verdade.

Fernando Pessoa

147 - O Melhor do Mundo São as Crianças

Foto: Shark inho
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre,bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor,quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa

16 março, 2008

146 - Rainha das Pontes !

Foto: Shark inho
Pousa um momento,
Um só momento em mim,
Não só o olhar,
também o pensamento.
Que a vida tenha fim
Nesse momento!
No olhar a alma também
Olhando-me, e eu a ver
Tudo quanto de ti teu olhar tem.
A ver até esquecer
Que tu és tu também.
Só tua alma sem ti
Só o teu pensamento
E eu onde, alma sem eu.
Tudo o que sou
Ficou com o momento
E o momento parou.
(Autor desconhecido)

145 - Outra vez o Tejo

Foto: Shark inho

O Tejo

As barcas gritam sobre as águas.
Eu respiro nas quilhas.
Atravesso o amor, respirando.
Como se o pensamento se rompesse com as estrelas
brutas. Encosto a cara às barcas doces.
Barcas maciças que gememcom as pontas da água.
Encosto-me à dureza geral.
Ao sofrimento, à ideia geral das barcas.
Encosto a cara para atravessar o amor.
Faço tudo como quem desejasse cantar,
colocado nas palavras.
Respirando o casco das palavras.
Sua esteira embatente.
Com a cara para o ar nas gotas, nas estrelas.
Colocado no ranger doloroso dos remos,
Dos lemes das palavras.

É o chamado rio tejo
pelo amor dentro.
Vejo as pontes escorrendo.
Ouço os sinos da treva.
As cordas esticadas dos peixes que violinam a água.
É nas barcas que se atravessa o mundo.
As barcas batem, gritam.
Minha vida atravessa a cegueira,
chega a qualquer lado.
Barca alta, noite demente, amor ao meio.
Amor absolutamente ao meio.
Eu respiro nas quilhas.
É forteo cheiro do rio tejo.

Como se as barcas trespassassem campos,
a ruminação das flores cegas.
Se o tejo fosse urtigas.
Vacas dormindo.
Poças loucas.
Como se o tejo fosse o ar.
Como se o tejo fosse o interior da terra.
O interior da existência de um homem.
Tejo quente. Tejo muito frio.
Com a cara encostada à água amarela das flores.
Aos seixos na manhã.Respirando.
Atravessando o amor.
Com a cara no sofrimento.
Com vontade de cantar na ordem da noite.

Se me cai a mão, o pé.
A atenção na água.
Penso: o mundo é húmido.
Não seio que quer dizer.
Atravessar o amor do tejo é qualquer coisa
como não saber nada.
É ser puro, existir ao cimo.
Atravessar tudo na noite despenhada.
Na despenhada palavra atravessar a estrutura da água,
da carne.
Como para cantar nas barcas.
Morrer, reviver nas barcas.

As pontes não são o rio.
As casas existem nas margens coalhadas.
Agora eu penso na solidão do amor.
Penso que é o ar, as vozes quase inexistentes no ar,
o que acompanha o amor.
Acompanha o amor algum peixe subtil

Herberto Helder

144 - Tardes em Lisboa

Foto: Shark inho

Tardes em Lisboa

Nesta última tarde em que respiro
a justa luz que nasce das palavras
e no largo horizonte se dissipa
quantos segredos únicos, precisos,
e que altiva promessa fica ardendo
na ausência interminável do teu rosto.
Pois não posso dizer sequer que te amei nunca
senão em cada gesto e pensamento
e dentro destes vagos vãos poemas;
e já todos me ensinam em linguagem simples
que somos mera fábula, obscuramente
inventada na rima de um qualquer
cantor sem voz batendo no teclado;
desta falta de tempo, sorte, e jeito,
se faz noutro futuro o nosso encontro.
E como, em noite parda, esse escritor demente
descobre no papel as formas do seu fim,
sem desistir de ti, ainda que as água cubram
de escamas a mansa pele,
ao meu delgado corpo de ar sonoro
acto em nova aliança o antigo canto.

(António Franco Alexandre)

14 março, 2008

143 - Lisboa... desbotada

Foto:Shark inho

Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz?Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tude se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser-quase, dor sem fim...
-Eu falhei-me entr os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi
...... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
...... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá Carneiro

12 março, 2008

142 - Eternidade

Foto: Shark inho

Eternidade

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.

Minha alma imortal,
Cumpre a tua jura
Seja o sol estival
Ou a noite pura.

Pois tu me liberas
Das humanas quimeras,
Dos anseios vãos!
Tu voas então...

— Jamais a esperança.
Sem movimento.
Ciência e paciência,
O suplício é lento.

Que venha a manhã,
Com brasas de satã,
O dever
É vosso ardor.

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.

(Rimbaud)

09 março, 2008

141 - Não há mulheres feias

Foto: Shark inho

Não há mulher que não tenha um encanto,
todas são belas seja no que for;
a alma, por mais oculta, em qualquer canto
há-de romper, e dar a sua flor.


Mas quando nada dê, temos, no entanto,
em nós, poder de tudo lhe supor,
desde a pureza, se esse amor é santo,
ao mais, se o nosso amor é bem amor.

Entre as surpresas de que nos rodeia
a vida, pode uma alma ser perdida?
criatura de amor, que seja feia?

Sonho que eu vivo, e por que, há tanto, chamo!
Quem me dera, através da minha vida,
encontrar, afinal, a que eu não amo!...
(Fausto Guedes Teixeira)

07 março, 2008

140 - Pássaro à janela

Foto: Shark inho

Acorda cedo como os passarinhos
e vem logo direita à minha cama;
sacode-me com jeito, por mim chama
e abre-me os olhos com os seus dedinhos.

Estremunhado, zango-me. - "Beijinhos,
não quer beijinhos?" - com voz de ouro exclama.
Da minha ira empalidece a chama,
e, acarinhando-a, pago os seus carinhos.

Senhor! Que amor de filha tu me deste!
Dá-lhe um caminho brando e sem abrolhos,
dá-lhe a Virtude por amparo e guia!

e destina também, ó Pai celeste,
que a mão com que ela agora me abre os olhos,
seja a que há-de fecharmos algum dia!

Eugénio de Castro

139 - O Gato

Foto: Shark inho
O Gato
Quem há-de abrir a porta ao gato
quando eu morrer?
Sempre que pode
foge prá ruacheira o passeio
e volta para trás,
mas ao defrontar-se com a porta fechada
(pobre do gato!)
mia com raiva
desesperada.
Deixo-o sofrer
que o sofrimento tem sua paga,
e ele bem sabe.
Quado abro a porta corre para mim
como acorre a mulher aos braços do amante.
Pego-lhe ao colo e acaricio-o
num gesto lento,
vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele olha-me e sorri,
com os bigodes eróticos,
olhos semi-cerrados,
em êxtase,
ronronando.
Repito a festa,
vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele aperta as maxilas,
cerra os olhos,
abre as narinas,
e rosna,rosna, deliquescente,
abraça-mee adoremece.
Eu não tenho gato,
mas se o tivesse
quem lhe abriria a porta quando eu morresse?

(António Gedeão)

02 março, 2008

138 - Nuvens

Foto: Shark inho

Nuvens

Nuvens correndo num rio
Quem sabe onde vão parar?
Fantasma do meu navio
Não corras, vai devagar!
Vais por caminhos de bruma
Que são caminhos de olvido.
Não queiras, ó meu navio,
Ser um navio perdido.
Sonhos içados ao vento
Querem estrelas varejar!
Velas do meu pensamento
Aonde me quereis levar?
Não corras, ó meu navio
Navega mais devagar,
Que nuvens correndo em rio,
Quem sabe onde vão parar?
Que este destino em que venho
É uma troça tão triste;
Um navio que não tenho
Num rio que não existe.
(Natália Correia)

137 - Nem tudo o que parece... é!

Foto: Shark inho

A minha Janela pequena

Tenho na minha casinha
Uma pequena janela
Que engana quantos passam
Quando olham para ela!

É que da minha janela
Vejo mais que o horizonte:
Vejo as estrelas do céu,
As árvores, o rio e o monte

Pela minha janelinha
Entra a luz do sol a rodos,
Entra o luar à noitinha
E as canções do vento em sopros

E quando vem o Inverno,
Bate a chuva miudinha
Não entra, porque a não deixa,
A janela pequenina

Susete Evaristo

01 março, 2008

136 - Lição de civismo

Foto: Shar inho
Rap Ecológico

Devemos cuidar
Do meio ambiente
Afinal de contas
É a casa da gente.
O nosso projeto
É uma beleza
Ensina a gente
A cuidar da natureza
Como é que vamos
Cuidar do meio ambiente?
Do jeito que está
Vai ficar permanente
Olha só meu amigo
Quanta poluição
Vamos já procurar
Uma boa solução
Já conheço uma
Que é bem legal
Reciclar papel
É fundamental
Separar o lixo
Não é nada difícil
Se você pensar
Logo vai notar
Esse é o rap
Do projeto ecologia
Venha conosco
Mergulhar nessa magia

Poema escrito por: Artur Gehlen Adams
jovem brasileiro de 9 anos