
Desencanto
É triste o meu cantoE, no entanto, vou cantando
Que o canto me exuga o pranto
Que meus olhos vão chorando
Há quem chore por um Bem
Que a vida lhe recusou,
Mas eu choro pelo Alguém
Que quiz ser e que não sou,
Canto pois, e cantarei,
Que o canto me enxuga o pranto;
- Choro de um desencanto
Que toda a vida chorei
Coimbra Resende
3 comentários:
Este parece uma versão masculina da Florbela Espanca em matéria de discurso...
:)
É um poeta daquela corrente do inicio do século embora da fase mais tardia mas ainda com influência da poesia chamada decadentista.Coimbra Resende ou melhor Adriano Vieira Coelho dos Santos Macedo, nasceu em 1904 tendo publicado os primeiros poemas em 1935.
Um pássaro em desespero,
Entregando a uma imagem todo o seu furor.
Tentando arrancar daquela sombra, as magoas,
Que rolam nas pedras na porta de casa.
Com seus saltos, deixa bicadas soltas ao vento,
Não desiste em destruir seus sonhos.
Vá se embora pequeno pássaro,
A natureza não te expôs para guerrear.
Podes criar um ninho só seu,
Podes balançar entre palmeiras.
Pobre pássaro!
Não vês que está a bicar sua própria imagem,
Insiste em vencer a você mesmo.
Oh meu pequeno, isso é apenas um espelho,
Você está a te olhar a todo instante.
Vá-te embora, será difícil conquistar seu reflexo!
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