31 maio, 2010

336 - A apanha do feno

Foto: Shark
Lembranças da minha infância
Está a chegar o fim de Julho Embora o tempo seja ameno É altura de ceifar o feno E o centeio para debulho
O camponês pega na gadanha,
Ceifa o feno com desembaraço Enquanto outro, no seu encalço, Junta a braçada que amanha
E o feno assim exposto ao ar Bem estendido e acamado Fica mais uns dias no prado Para amarelecer e secar
Revolve-se uns dias depois
Para voltar a ser espalhado Quando já seco é enfeixado E levado no carro de bois Trazem-se os “nagalhos” do lar Feitos de palha de centeio Põe-se o feno no entremeio E é só torcer e apertar
Os carros trazem os varais
Para segurar bem a carrada Que depois de bem apertada Ainda consegue levar mais
E a pujança do camponês
Alçando mais feno nas forquilhas Carrega ainda algumas pilhas E aperta as cordas de vez
Depois é um ver se te avias
Corro para trepar E lá no cimo bem aninhada Gravo na memória belos dias!...
Gina Ferro

2 comentários:

A. Feliciano disse...

Regressos,....
É meia-noite, estou em frente do computador. Escuto
a voz fria da verdade, que me diz:
“Sexagenário, meu Amor, o que viveste, viveste; o que
não viveste, agora é tarde”. E, continuando, “Tens uma boa
memória, rebusca na tua história, procura os teus mais belos
momentos de amor e felicidade, trá-los agora à realidade.
Na busca de um acalento, aceitei recordar. E foi assim:
”Uma noite cálida de Agosto, deitado na choupana
onde ficava de guarda à eira, efeito dos trinta e nove graus
da tarde, era agora compensado com o fresco da noite. Não
tardava em deixar cair o orvalho. Sentado no chão, apoiado
nas palmas das mãos e queixo levantado, era já um hábito a
contemplação da Lua. Só eu, e ela, tão longe mas tão bela,
querida confidente. A nossa companhia eram os grilos de
verão que farfalhavam no meio do restolho. Um mocho que
piava empoleirado no velho freixo da beira do rio junto da
velha ponte romana. Da aldeia mais próxima vinha o miar
de uma gata com cio, que miava em cima de um telhado
para atrair o companheiro.

“Perfume de maçãs vermelhas riscadinhas confundiase
com o cheiro da margaça seca, invadia todo o meu ser.
Depois, vem o cheiro do restolho orvalhado, da palha do feijão
debulhado, das carapelas do milho descascado, do funcho
dos valados, das peras que caiam de maduras… …dos pêssegos
grandes de pele aveludada… …O cheiro a pó do caminho
misturado com as bostas de boi já secas. A encruzilha da
azinhaga onde dançavam as bruxas em noites de lua cheia. O
luar e as sombras dos caniços, as moitas de atádegas e o mistério
arrepiante do Chafariz da Moira. Um encadeamento de
pensamentos, que não mais parava....

“Chegando aqui… … Recordo o caminho das Anaias
que levava a tua casa, os Plátanos e as Faias, altas e antigas,
pelos quais tinha que passar antes de subir a ladeira do caminho
fundo. Ao cimo da ladeira está um carreiro que se desvia
para a direita, foi aí, foi aí…
que te comecei a amar ,,,

Susete Evaristo disse...

Obrigada pelo seu comentário A. Feliciano, que bonita história de amor que aqui deixou registada.
Um Abraço