15 setembro, 2009

314 - Apontamentos

Foto: Shark

Ao correr da pena

Uma prateleira branca
Com palavras cujas lombadas,
ficam tão bem arrumadas…

cada palavra tem uma história
por detrás,
ou mais do que uma,
tanto faz…

Num acto solitário,
que a solidão é um receio primário,
instintivo, na arrumação
temo a cada passo a constatação
de mais um fracasso …

Logo abaixo da primeira
preenchi outra com palavras destinadas
a serem devoradas…

Olhares famintos de coisas interessantes
que me inibo de acreditar ser capaz de arrumar
com os meus dedos hesitantes.
Letras estampadas que me compete juntar
em palavras arrumadas

A estante quase a abarrotar
com o que consigo dar
a viajantes virtuais que procuram os sinais
que vou deixando aqui e além,
pequenos marcadores
com relatos dos meus amores
ou de outra coisa qualquer,
tudo aquilo que puder encaixar
nos espaços vazios
que tento forrar de ideias e emoções,
de pensamentos e sensações
que me definem
aos olhos de quem se serve agora
desta obra sempre inacabada
que anseio ter forças para prolongar.

Esta tentativa vã,
frustrada,
de me conseguir comunicar.
(Shark)

4 comentários:

shark disse...

Onde é que eu já vi (e li!) isto?
:)

Susete Evaristo disse...

Por aqui se prova como um texto destes se pode reproduzir numa forma mais romântica, como é a poesia.
E diz lá, comparando esta com a outra que conheces, se o sr. "gajo" não esceve bem?

shark disse...

sou suspeito. E por isso, ao contrário do que é a minha prática, abstenho-me...
:)

Vieira Calado disse...

Olá, como está?

Foi com muito gosto que visitei este blog, o que não fazia há um tempinho.

Bjs